Em tempos de coronavírus, como lidar com quadros respiratórios em crianças?

Foto de Andre Guerra em Unsplash

A regra do momento é: fique em casa. As saídas devem ser limitadas apenas ao que é essencial.

Independente da doença pelo novo coronavírus, entramos agora numa fase de aumento dos quadros respiratórios em criança. Ficamos na torcida para que as medidas de distanciamento social, suspensão das aulas e atenção redobrada à higiene das mãos e etiqueta respiratória contribuam também para diminuirmos os casos de resfriado comum, gripe e bronquiolite. Ainda assim, vale lembrarmos como identificarmos quando um quadro respiratório passa a evoluir de forma mais grave e nos faz levar nossas crianças para avaliação em Pronto-Socorro, mas também evitarmos idas desnecessárias a um ambiente que pode nos expor a novas infecções.

Em virtude da pandemia, o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Medicina regulamentaram o uso da telemedicina. Com isso, muitos serviços de saúde e profissionais têm se disponibilizado para prestar atendimento por telefone, auxiliando na identificação de casos leves e de casos que precisam avaliação ao vivo.

Importante reforçar que o resfriado comum é considerado a infecção mais frequente e é uma das principais causas de consulta, seja em emergência ou consultório. Acredita-se que ele seja responsável por 22 milhões de dias de escola perdidos! Pode ser causada por mais de 100 tipos diferentes de vírus, principalmente da família dos rinovírus, mas que conta também com outros tipos bem menos famosos de coronavírus e enterovírus. As crianças são mais acometidas e os sintomas duram mais tempo. O bom é que o resfriado é uma doença autolimitada, ou seja, que se resolve sozinha com o tempo. Como todo vírus, não é tratada com antibiótico, mas sim com muita lavagem de nariz, remédios para febre e dor (como dipirona, paracetamol), hidratação, repouso e paciência.

Os sintomas do resfriado costumam ser piores nos primeiros três dias, podem durar 10 dias, mas chegam até três semanas, com padrão de melhora gradual. Os mais comuns são:

  • Febre: caracterizada por temperatura acima de 38 graus, geralmente está presente nos primeiros três dias da doença.
  • Obstrução nasal/nariz entupido: é o sintoma mais comum em crianças.
  • Secreção nasal: pode ser transparente (coriza), amarela, verde… a cor da secreção não tem relação com a gravidade nem com o agente que está causando a doença.
  • Dor de garganta;
  • Tosse – é frequentemente um dos sintomas que mais incomoda e o que mais demora pra ir embora (às vezes até mais os pais do que a criança!);
  • Dor no corpo, mal-estar;
  • Diminuição do apetite.

Existem, entretanto, alguns sinais de alerta, que podem sinalizar ou a complicação de um quadro de resfriado comum ou de alguma outra infecção mais grave. Caso perceba algum deles, a criança precisa ser avaliada em serviço de saúde:

  • Sensação de falta de ar – respiração curta, sensação de aperto no peito para respirar ou sensação de não ter ar suficiente;
  • Respiração muito rápida e/ou com esforço (por exemplo, ver que as narinas abrem pra respirar, que a barriga sobe e desce muito rápido, que parece precisar levantar os ombros pra respirar);
  • Febre persistente por 3 dias ou mais – uma febre no 3º dia que está ficando mais baixa e mais espaçada é um bom sinal;
  • Dificuldade para aceitar líquidos – é normal que as crianças aceitem menos por estarem doentes, mas alguma coisinha tem que aceitar!
  • Dificuldade para manter a criança acordada;
  • Irritabilidade que não alivia;
  • Olhos e boca seca.

Ainda temos poucos dados sobre a infecção pelo novo coronavírus em crianças. Até o momento, ainda que alguns casos possam evoluir de forma grave, acredita-se que a grande maioria deles será leve e se assemelhará a um resfriado comum. Os sintomas mais frequentes parecem ser febre, que costuma durar 3 dias, e tosse. Outros sintomas relatados são dor no corpo, cansaço/sonolência e sintomas gastrointestinais. No momento atual do Brasil (29/03/2020), não se testam pacientes com sintomas leves, ou seja, aqueles que não precisam ir para o hospital. Para a saúde da criança que você está cuidando, não vai fazer diferença saber se foi ou não coronavírus.  O importante é reconhecer quando se trata de um caso leve e permanecer em casa, em isolamento por 14 dias, tratando os sintomas e com todos os cuidados para interromper o ciclo de transmissão do vírus (seja ele qual for!), e identificar quando apresenta algum sinal que exija avaliação em serviço de saúde.

Continuemos nos cuidando e cuidando das nossas crianças!

Referências:

  1. Weintraub, B. Upper Respiratory Tract Infections. Pediatrics in Review Dec 2015, 36 (12) 554-556; DOI: 10.1542/pir.36-12-554
  2. Hayward  G, Thompson  MJ, Perera  R, Del Mar  CB, Glasziou  PP, Heneghan  CJ. Corticosteroids for the common cold. Cochrane Database of Systematic Reviews 2015, Issue 10. Art. No.: CD008116. DOI: 10.1002/14651858.CD008116.pub3.
  3. Kenealy  T, Arroll  B. Antibiotics for the common cold and acute purulent rhinitis. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 6. Art. No.: CD000247. DOI: 10.1002/14651858.CD000247.pub3.
  4. Lu X, Zhang L, Du H, Zhang J, Li YY, Qu J, et al. SARS-CoV-2 Infection in Children. New England Journal of Medicine. 2020 Mar 18;0(0):null.
  5. Chen C. Coronavirus Disease-19 Among Children outside Wuhan, China [Internet]. Lancet Child and Adolescent medicine; Available from: https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3546071

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