Crianças e o novo coronavírus: o que se sabe até agora a partir de dados chineses

Crianças e o coronavírus
Imagem: unsplash.com

A China enfrenta o COVID19 desde dezembro do ano passado e tem lançado publicações no meio científico sobre o que conseguiu reunir de dados dos atendimentos prestados.

Para as crianças, destaco a publicação lançada ontem na revista Pediatrics, que traz as características de mais de 2000 pacientes de até 18 anos, tanto de casos confirmados laboratorialmente quanto dos casos suspeitos (Dong Y, Mo X, Hu Y, Qi X, Jiang F, Jiang Z, et al. Epidemiological Characteristics of 2143 Pediatric Patients With 2019 Coronavirus Disease in China. Pediatrics [Internet]. 2020; Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32179660).

Os casos de COVID-19 foram classificados conforme sua gravidade:

  1. Assintomáticos: pacientes sem qualquer sinal ou sintoma da doença, mas com o teste positivo para o novo coronavírus.
  2. Leves: sintomas de resfriado comum, como febre, cansaço, dor no corpo, tosse, dor de garganta, coriza e espirros. Casos leves também podem ser aqueles sem febre ou que apresentaram apenas sintomas de gastroenterite, como náusea, vômitos, dor de barriga e diarreia. Esses casos não tinham alterações que sinalizassem gravidade ao exame físico.
  3. Moderados: pacientes com quadro de pneumonia, que poderia se apresentar com febre, tosse inicialmente seca e depois produtiva, mas sem dificuldade para manter boa oxigenação – ou seja, conseguiam se manter sem dificuldade para respirar. Ao examinar esses pacientes, podiam apresentar no exame do pulmão sibilos (ausculta do pulmão com som semelhante ao que se encontra na asma), roncos e estertores, típico de pneumonia.
  4. Graves: sintomas respiratórios iniciais de febre e tosse, podendo ou não estar acompanhados de sintomas gastrointestinais, como diarreia, que evoluíram para falta de ar e necessidade de oxigênio suplementar.
  5. Críticos: progressão rápida para insuficiência respiratória, podendo também comprometer outros órgãos, como coração e rins, com sério risco de morte.

O que os chineses relataram?

Houve uma distribuição semelhante entre meninos e meninas. A maioria dos casos foram da província de Hubei, onde tudo começou, e do entorno da região. Metade dos casos (1091 pacientes) foram classificados como leves. Dos 2143 pacientes avaliados, 126 foram classificados como graves ou críticos, quase 6% do total.

Se analisarmos apenas os 126 casos graves e críticos, observamos que quase ¼ deles ocorreram nas crianças menores de 1 ano. Das 379 crianças com menos de 1 ano que foram diagnosticadas com o novo coronavírus, quase 11% delas evoluíram para casos graves ou críticos. Do total 2143 pacientes, houve 13 casos críticos (0,6%), sendo que 7 deles ocorreram entre crianças menores de 1 ano.

A faixa etária mais acometida pelo vírus foi a de 6 a 10 anos, responsável por 24% dos casos. Nesse grupo, não houve nenhum caso classificado como crítico – 60% foram classificados como assintomáticos ou leves, 23% como moderados e 20% como graves. O único óbito relatado no estudo foi de um paciente de 14 anos.

Os dados publicados por esse estudo possuem algumas limitações e nos obrigam a interpretar os dados com cautela: parece que houve mais casos graves e críticos entre os pacientes que não tiveram o diagnóstico confirmado. Isso significa que outras infecções respiratórias frequentes nessa faixa etária possam ter contribuído para o maior número de casos. Também não se encontra nesse estudo melhor descrição de como os casos se apresentaram. Por exemplo: Como se comportava a febre? Quantos tinham tosse? Qual o tempo de incubação? Ainda assim, o estudo tem seu valor, pois descreveu o comportamento da doença na população pediátrica durante a explosão de casos na China. Em breve, devemos ter publicações com mais informações.

Ficam as mensagens: as crianças, de modo geral, parecem ter quadros mais leves que adultos e com menor mortalidade. Quando observamos apenas esse grupo, identificamos que os menores de 1 ano são mais vulneráveis, o que nos alerta para protegermos ainda mais essas crianças.

Confira nas próximas postagens medidas de proteção e recomendações atuais para prevenção do novo coronavírus e cuidados gerais em tempos críticos.

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