Consulta pré-natal pediátrica

consulta pre natal
Foto por Ignacio Campo em Unsplash.com

Realizar consultas pré-natal faz parte da rotina de toda gestante. Desde o primeiro atendimento, o foco é no binômio mãe-bebê que está em formação, com o objetivo de viver essa etapa da forma mais saudável possível. A consulta pré-natal que vamos falar agora também se trata de cuidar de mãe e bebê, mas coloca o futuro recém-nascido como personagem principal e convida também os demais envolvidos a serem atores do processo.

Existe uma recomendação universal de que a primeira consulta pediátrica ocorra ainda no pré-natal, no início do terceiro trimestre. Acredita-se que seja uma ótima oportunidade para criar laços e estabelecer uma relação de confiança entre médico/a e família. Como um dos objetivos da consulta é antecipar orientações para situações que ainda estão por vir, ela é válida também para aqueles que se tornam pais através de adoção.

Abaixo, veremos alguns pontos a serem abordados na consulta pré-natal pediátrica:

  • Informações sobre a gravidez atual, história médica dos pais e história social: saber antecipadamente situações que podem influenciar a vida do recém-nascido ajuda a esclarecer eventos antes mesmo de que eles aconteçam. Isso se torna especialmente importante em situações em que se sabe, por exemplo, de alguma doença do coração, pois se pode conversar sobre o que esperar após o nascimento. Pode-se aproveitar para explicar a importância da realização de exames de rotina durante a gravidez, como sífilis e HIV, bem como alertar para a importância da vacinação para prevenção da coqueluche (dTPa). Exemplos de antecipação por doenças são fáceis de entender sua importância, no entanto, questões sociais também podem ser abordadas nessa consulta, como falta de rede de apoio ou enfrentamento de crises conjugais.
  • Hora do parto: conversar sobre o que acontece quando o bebê nasce, quanto tempo costuma ficar internado, quais os cuidados que o bebê vai ter na maternidade reduzem a ansiedade do momento do parto. Pode-se aproveitar para explicar também sobre os benefícios do contato pele-a-pele já logo ao nascimento e sobre características próprias do recém-nascido, como passar as primeiras 12 horas predominantemente dormindo, para se recuperar depois de toda a descarga de adrenalina do parto.
  • Benefícios da amamentação: o aleitamento materno é o melhor alimento para o recém-nascido e deve ser mantido de forma exclusiva durante os 6 primeiros meses de vida. Seus benefícios são inúmeros, e inclui reduzir o risco de diarreia em até 14 vezes e infecções respiratórias em até 5 vezes. Tão importante quanto saber dos benefícios do aleitamento materno é saber também de que o início da amamentação pode ser difícil e doloroso. É natural que leve alguns dias para conseguir estabelecer o aleitamento materno com sucesso e é bem comum precisar de ajuda nesse período. Vale lembrar também que a perda de peso do recém-nascido é esperada e que pode ser normal levar até duas semanas para recuperar o peso do nascimento. Nos casos em que não foi possível o aleitamento materno, fica a mensagem: o principal objetivo é alimentar a criança de uma forma saudável e prazerosa também para quem oferece o alimento.
  • Habilidades parentais: a partir das crenças e culturas individuais, a consulta pré-natal pode ser um ótimo momento para ajudar cuidadores a tornarem-se os mais competentes possíveis. A gravidez e o parto deixam muito claro o papel da mãe na vida da criança, contudo, é importante reforçar o papel igualmente importante do parceiro para o crescimento e desenvolvimento da criança. Conselhos sobre divisão de tarefas como troca de fraldas, cuidados da madrugada e hora do banho podem ajudar na criação de rotinas para depois do nascimento do bebê e no envolvimento do pai. É útil nesse momento auxiliar os pais a compreender as necessidades básicas do bebê: comida, abrigo, amor e cuidado. Ao provê-los adequadamente, consegue-se estimular também o desenvolvimento da sensação de segurança do bebê.
  • Estímulo de hábitos saudáveis para a família: uma ótima maneira de criar crianças saudáveis é sendo exemplo. O ideal é que pais comam de forma equilibrada e procurem praticar atividade física regularmente. Além da preocupação com bons exemplos, há de se cuidar também com os exemplos ruins, como tabagismo, que impactam negativamente na saúde da criança. A boa saúde bucal da mãe durante a gestação também é importante, pois o contrário está associado a trabalho de parto prematuro.
  • Contato com o bebê: o profissional de saúde pode ensinar sobre a forma que as crianças aprendem nessa fase inicial da vida. Brincadeiras com interação do tipo dar e receber, leitura, música e conversa proporcionam um meio rico em linguagem e, por consequência, minimizam a exposição aos diversos tipos de mídias, que não são recomendados nos dois primeiros anos de vida.
  • Segurança: a consulta pré-natal é um bom momento para abordar temas como forma segura para dormir, cuidados de higiene, como segurar o bebê, cuidados com o banho, importância da cadeirinha para andar de carro e das vacinas.
  • Emoções do bebê: recém-nascidos podem ter os mais variados temperamentos, o que pode ser muito desafiador. O choro do bebê não deixa de ser uma forma de comunicação com o meio. Costumam ocorrer picos de choro por volta da 6ª semana de vida e no início da noite. Técnicas como contato pele-a-pele, aconchegar, balançar, cantar, falar e tocar músicas baixinho e usar luz baixa podem ajudar nesses momentos. O contato face-a-face é muito importante nessa fase, pois parece ajudar os bebês a se sentirem mais felizes e seguros. Um dos braços da Associação Americana de Pediatria diz que se o bebê aprende que consegue a atenção dos pais sorrindo e sendo feliz, isso é um estímulo para que esse comportamento continue. Caso isso não funcione para ele ganhar atenção, ele pode desistir e tentar outras atitudes, como chorar e gritar.
  • Emoções dos pais: falar sobre o turbilhão de emoções que está por vir é parte fundamental da consulta, bem como esclarecer que elas são tanto positivas quanto negativas. É sabidamente papel do pediatra questionar sobre a saúde mental dos pais. De 10 a 20% das mães passam por depressão antes, durante e/ou depois do parto. Falar abertamente sobre isso pode deixar os pais mais preparados para reconhecer sinais e sintomas de depressão. As primeiras semanas podem ser muito estressantes, sendo necessário se adaptar a mais responsabilidades com uma quantidade bem menor de sono. Pensar em cuidar de si também é pensar no cuidado do bebê. Não hesite em pedir ajuda!

A consulta pré-natal pode ser mais uma etapa da deliciosa preparação de se esperar um bebê. Aproveite esse momento para aprender ainda mais como criar uma criança feliz e saudável.

Referências:

  1. Yogman M, Lavin A, Cohen G, COMMITTEE ON PSYCHOSOCIAL ASPECTS OF CHILD AND FAMILY HEALTH. The Prenatal Visit. Pediatrics Jul 2018, 142 (1) e20181218; DOI:1542/peds.2018-1218
  1. Hagan  JF,  Shaw  JS, Duncan  P, eds. Bright Futures: Guidelines for Health Supervision of Infants, Children and Adolescents. 4th ed. Elk Grove Village, IL: American Academy of Pediatrics; 2017

 

 

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