Seu bebê dorme à noite?

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Se pais e mães recebessem uma moeda por cada vez que ouvissem “E seu bebê dorme bem à noite?” e suas variações, eles já teriam um bom dinheirinho. Nós, médicos, seríamos grandes contribuidores desse cofrinho, uma vez que essa pergunta costuma fazer parte das consultas de rotina. Mas, afinal, o que é dormir bem à noite para um bebê? O que seria uma noite de sono normal para um bebê?

Em primeiro lugar, vale lembrar que o conceito de normalidade em relação ao sono deve ser entendido mais como o que é mais frequente, e não simplesmente o que é certo e errado. Alguns estudos afirmam que a maioria dos bebês dorme 8 horas ininterruptas durante o período da noite. Informações com essa são repassadas nas diversas fontes de informação para pais e cuidadores e são causas frequentes da busca por uma adequada higiene do sono.

Entretanto, na conceituada revista científica Pediatrics, um estudo publicado agora em novembro por um grupo canadense sobre hábitos de sono noturno, desenvolvimento neuropsicomotor e humor materno suaviza a pressão do “meu bebê precisa dormir a noite toda com seis meses de vida”. Ao pesquisar 388 bebês canadenses, entre 6 e 36 meses de vida, viu que 38% deles dormem menos de 6 horas seguidas durante a noite. Ou seja, a cada 10 bebês, praticamente 4 dormem menos de 6 horas. Nessa mesma idade, apenas 4 em cada 10 bebês dormem 8 horas seguidas durante a noite. Ok, mas com 12 meses tudo está resolvido então? Nesse estudo, 28% das crianças ainda não dormia 6 horas seguidas. Ao comparar o humor das mães entre os grupos das crianças que dormiam mais ou menos, surpreendentemente, não houve diferença. Os autores do estudo acreditam que seja melhor avaliar o humor materno pela duração total do sono materno ou ainda por sinais de fadiga.

Uma preocupação frequente com o sono é sua possível relação com melhor desenvolvimento neuropsicomotor da criança. Esse estudo, no entanto, não viu diferença em um teste realizado para avaliar desenvolvimento mental e psicomotor entre as crianças que dormiam mais ou menos durante a noite. Como bem alertado no artigo de opinião dessa mesma revista, a avaliação do impacto do sono no desenvolvimento pode ser difícil de ser mensurada e temos dificuldades em comparar os estudos existentes. As autoras ainda acrescentam que, em vez de avaliar o desenvolvimento, o impacto do sono poderia ser melhor investigado através de questões sobre o funcionamento diário. Afinal, mesmo sem ler nenhuma revista científica, quem cuida de bebê sabe bem como o bebê fica chatinho quando não dorme bem. E, quando pensar em não compreender essa ligação do humor com o sono, basta lembrar o tanto que nós, adultos, reclamamos quando não dormimos suficiente. Alguns mais, alguns menos… assim como os bebês!

Compreender o tanto que pode ser normal para um bebê dormir contribui para uma criação saudável para a família. Estudos mostram que mães se sentiam tensas e deprimidas ao tentar fazer com que seu/sua filho/a durma a noite toda. É importante que, ao procurar ajuda especializada sobre o sono, o profissional entenda o contexto da família e possa orienta-la da melhor forma possível.

 

Referências:

  1. Pennestri M-H, Laganière C, Bouvette-Turcot A-A, et al. Uninterrupted Infant Sleep, Development, and Maternal Mood. Pediatrics. 2018;142(6):e20174330. doi:10.1542/peds.2017-4330
  2. Moore M. Does Sleep Matter ? Impact on Development and Functioning in Infants. 2018;142(6):10-13. Pediatrics

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